"Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha". MT 7,24
 
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Aurion e Projeto Brasil participam da Casa Cor Ceará 2009


ESPAÇO LOJA CASA COR
ARQUITETOS: ITATIENE GARCIA, MAX FROTA e HERBERT ROCHA


A Loja da Casa Cor Ceará 2009 é uma caixa de surpresas com a geometria desconstruída. Planos livres com formas puras são costurados com luz. O espaço não se mostra de uma vez. Seu desenho sugere o caminhar. Os elementos arquitetônicos de piso, parede, teto e finestras ajudam a marcar estações e o ritmo da fruição. A desconstrução da forma gerou um ambiente legível e confortável aos sentidos.

Teve como principal inspiração a casa que sediará o evento neste ano, um belo exemplar da arquitetura moderna no Ceará. Tentou-se transpor as lições aprendidas deste ideário:
• Integração das artes.
• Respeito ao ambiente natural.
• Assimilação crítica de novas tecnologias e materiais ofertados pelo mercado internacional.
• Valorização da cultura popular brasileira de construir e morar.
• Racionalização do layout e processo construtivo.

Esta herança pode ser lida na hora em que são reeditados o muxarabi, o assoalho, o painel de azulejos e o combogó. Este artifício é entendido como a construção de uma poesia nova, contemporânea com uso de palavras antigas da nossa língua.  Tendo estas palavras sido usadas em outras poesias no passado, trazem, além de um significado real, a carga simbólica e afetiva de outras obras.

Um pórtico branco, de formas retas e puras, marca a volumetria da fachada, convida a entrar e define uma escala mais aconchegante com seu pé direito mais baixo. Aberturas no pórtico geram uma tensão formal onde as logos da Casa Cor são inseridas.

As boas vindas são dadas por um grande painel de azulejos, da artista plástica Wania Garcia, com motivos da flora brasileira. Um jardim estilizado. Uma homenagem ao trabalho de Burle Marx.

O piso é um grande assoalho de madeira como nas construções tradicionais, mas a madeira usada é sintética, feita com a reciclagem de restos de madeira. Sua paginação é harmonizada com um grande muxarabi feito do mesmo material.


O mobiliário foi trabalhado com peças soltas. Mesclou-se o uso de peças já disponíveis no mercado, como a cadeira Allegro do estúdio bola, a cadeira Nena Baixa do desiner Sérgio Fahrer e o banco Pedra Multilaminado do designer Paulo Alves, com o uso de peças novas concebidas especialmente para a mostra, que serão produzidas em série pela indústria local a partir do evento, como a estante Nicho em aço, a mesa Tati em MDF revestido com lâmina de madeira e o puff LCC em madeira tauari maciça, estofado com lona de caminhão reciclada. O mote da modularidade e da reprodução do módulo está presente no desenho de cada uma destas peças, adaptáveis a espaços de diferentes proporções.

O combogó Sobral também desenvolvido para o evento, com traços que fazem referência ao arco do triunfo, ícone arquitetônico desta cidade cearense.

A aplicação do combogó, assim como do muxarabi são formas de proteger as fachadas contra a insolação direta, deixando a luz natural entrar peneirada conforme a necessidade, melhorando o conforto térmico e visual, além de otimizar a performance do sistema de ar-condicionado e reduzir o consumo de energia.

A parede oposta ao muxarabi é revestida com painéis de tecido. A intenção foi criar superfície de absorção sonora, reduzindo o desconforto da reverberação.

A iluminação e os espelhos além de destacarem os produtos à venda, realçam os encontros da composição arquitetônica e sua geometria precisa e legível. A base da luz é trabalhada com LEDS como forma de reduzir a custo energético da operação do espaço.
 
A laje de concreto aparente funciona como único elemento sólido, real e permanente em contraponto ao efêmero da composição e da mostra.